06/10/2026 A IX Semana Acadêmica Dom Luciano finaliza enaltecendo as virtudes do Servo de Deus
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A IX Semana Acadêmica Dom Luciano Mendes encerrou suas atividades na manhã desta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, nas dependências da Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM), enaltecendo as virtudes e o legado do Servo de Deus.

O evento foi promovido pela própria FDLM em conjunto com o Instituto Teológico São José (ITSJ) e com o apoio da Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, reunindo a comunidade acadêmica e fiéis ao longo de três dias de reflexões sob o tema “Dom Luciano: Espiritualidade, Humanidade e Missão”.

Santa Missa marca o início da IX Semana Acadêmica Dom Luciano Mendes

A celebração da Santa Missa na Catedral da Sé, em Mariana (MG), marcou a abertura oficial do encontro.

A celebração foi presidida pelo nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos e concelebrada pelos padres formadores do Seminário São José. Ao término, o Administrador da Causa de Beatificação e Canonização de Dom Luciano, Padre Darci Fernandes Leão, explanou sobre os dons do Servo de Deus, ressaltando a dimensão trinitária e cristocêntrica de sua espiritualidade.

Na ocasião, o sacerdote detalhou o andamento do processo de canonização, cuja fase arquidiocesana foi concluída e se encontra, atualmente, na etapa romana. Padre Darci esclareceu que, após a organização e síntese dos documentos em Roma, os relatos de milagres atribuídos a Dom Luciano poderão ser anexados ao processo.

Segundo ele, essa síntese “será concluída e passada para as comissões romanas de teólogos, historiadores e para os cardeais responsáveis. Eles irão ler, avaliar e dar uma nota. Essa avaliação deles, sobretudo, sobre a existência das virtudes heroicas será encaminhada ao Papa para aprovação”, esclareceu Pe. Darci.

O legado de Dom Luciano também foi destacado por membros da comunidade vocacional. O seminarista Jardel Alves Dias, aluno do quarto período da FDLM, seminarista do segundo ano do discipulado e natural da Paróquia Sant’Ana, em Abre Campo, relatou o impacto do Servo de Deus em sua caminhada.

“Pra minha vida, Dom Luciano anima a minha vocação na questão de seguir ao bom pastor, de seguir a Jesus Cristo em meio ao sofrimento, talvez da pobreza, da entrega aos mais sofredores, daqueles que tem necessidade material e espiritual”, relatou Jardel.

Ao encerrar as reflexões de abertura, Dom Airton exortou os fiéis e estudantes a se inspirarem no testemunho do Bispo.

“Inspiremos em Dom Luciano que em vida procurou realizar a vontade de Deus, passou a fazer o bem e nos deu esse exemplo de vida cristã. E hoje, nós temos a alegria de tê-lo como um exemplo, como um sinal para todos nós. Façamos o que é da vontade de Deus, não aquilo que nosso coração manda, exceto o que manda fazer aquilo que é do Deus”, concluiu o arcebispo.

Após a Santa Missa, todos se dirigiram até a Cripta, onde está sepultado Dom Luciano, rezaram a oração de sua Beatificação e Dom Airton depositou flores em seu túmulo.

Fé e espiritualidade de um grande pastor

Dando continuidade a IX Semana Acadêmica, na quinta-feira, 1º de outubro foi marcada pelo aprofundamento do saber teológico, filosófico e pastoral, e à reflexão sobre a atualidade do testemunho de Dom Luciano para os desafios atuais da Igreja e da sociedade contemporânea.

O primeiro painel do evento intitulado “Dom Luciano e a Ação Evangelizadora na Arquidiocese de Mariana” foi dividido em três momentos principais: Desafios e perspectivas pastorais; Atuação e presença na vida dos Cristãos leigos e leigas e a Formação e o cuidado com o Clero e com o Seminário de Marina.

Para falar sobre Desafios e perspectivas pastorais, o palestrante convidado foi o Pe. José Geraldo de Oliveira, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral e Diretor do Departamento Arquidiocesano de Comunicação (Dacom).

O palestrante destacou o impacto transformador que Dom Luciano fez na Arquidiocese de Mariana, também relatou a importância sobre a sua visão pastoral inovadora e seu compromisso com a justiça social e os mais vulneráveis, antecipando muitas as diretrizes da Igreja contemporânea.

Dom Luciano propôs a reorganização arquidiocesana com uma estrutura descentralizada, criando regiões pastorais e nomeando Coordenadores Pastorais que, a partir de 1996, se tornaram Vigários Episcopais. Isso foi visto como uma “conversão pastoral”, garantindo que a estrutura servisse à evangelização.

Houve um grande avanço no investimento em pastorais sociais, priorizando a promoção da vida e da dignidade humana.

“Dom Luciano deixa pra nós esse grande legado do profeta, do pastor que viveu no meio de nós e está presente no meio de nós hoje, como santo protetor dos pobres, defensor da causa dos oprimidos, e o seu exemplo nos ensinando a acolher a todos, a ser uma igreja acolhedora, missionária, uma igreja em saída na promoção da vida e da dignidade de todas as pessoas, principalmente dos mais sofredores, pobres e excluídos”, ressaltou Pe. José Geraldo.

Um amor incondicional

O segundo momento foi assessorado pela Leci Conceição Nascimento, leiga atuante em várias frentes da nossa Arquidiocese, como a Pastoral Afro, abordou o tema: Atuação e presença na vida dos Cristãos leigos e leigas.

De acordo com a Leci, à chegada de Dom Luciano à Diocese na época gerou espanto e admiração por sua simplicidade e proximidade com os leigos e leigas. Ele acreditava que evangelizar não era fazer para o povo, mas caminhar com o povo, ouvindo o Espírito santo que fala através de todos na comunidade. Além disso, era um bispo que sentava no passeio com a juventude, escutava a todos com atenção, conversava e compreendia suas vidas.

Dom Luciano não via a Igreja como uma realidade apenas de clérigos e religiosos, mas como o “povo de Deus”, um corpo onde cada pessoa coloca seus dons a serviço do Evangelho. Essa visão era “futurística” para a época.  Ele também desejava uma Igreja onde os leigos pudessem participar, refletir, discernir e assumir responsabilidades, gerando um novo compromisso para o laicato. Também empenhou- se na estruturação de diversos conselhos, entre eles o Conselho do Laicato da Arquidiocese de Mariana (CLAM). Contudo, “O Servo de Deus, Dom Luciano, tinha um coração enorme, expressava carinho, respeito e muita confiança com os leigos”, apontou Leci.

A palestrante ressaltou que durante o pastoreio de Dom Luciano, houve um grande investimento na formação e participação do laicato. Ela recordou dos questionamentos que o sacerdote muitas vezes trazia: “Que tipo de leigo ou leiga precisa-se hoje?”.

“Precisamos de leitos que conheçam a sua fé, capazes de dialogar com o mundo, tenham formação bíblica, teológica e pastoral, capazes de compreender a realidade social, que saibam trabalhar em equipe, que não tenham medo de assumir responsabilidades, que compreendam que a evangelização não acontece somente dentro da igreja, mas que a missão do leito é da Igreja e da sociedade, conforme nos fala o documento 105 da CNBB”.

Leci destaca ainda a relevância de sua presença como mulher, especificamente como mulher negra, ressaltando que a Semana Acadêmica é uma forma e preservar a memória das grandiosas contribuições de Dom Luciano para a Arquidiocese.

“Dom Luciano era o bispo do cuidado, da proximidade, que ajudou e fortaleceu o protagonismo dos leigos. Também nos ajudou a compreender mais do que nunca que nós somos pessoas muito amadas por Deus e que podemos fazer a diferença nesse mundo a partir do momento que a gente de verdade vive o Evangelho”.

Ao final de sua fala, Leci ressaltou a importância da espiritualidade de Dom Luciano, da escuta, do acolher, do sentir, do cuidar resumindo assim na pergunta emblemática: “Em que posso ajudar?”.  Ao concluir, apresentou testemunhos de pessoas que conviveram com ele, lembrando que Dom Luciano não só ensinou sobre liderança, colocava a mão na massa, estava próximo do povo e via os leigos como amigos, chamados e enviados ao serviço da Igreja.

Padre Marcelo Santiago Moreira, pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, assessorou o terceiro momento, “Formação e o cuidado com o Clero e com o Seminário de Marina”. De acordo com Pe. Marcelo, Dom Luciano via a educação e a formação como meios para ajudar as pessoas a “serem melhores” e a “servirem melhor”.

O palestrante recordou que, Dom Luciano deparou-se com uma arquidiocese histórica, no interior de Minas Gerais, distinta do contexto de São Paulo, onde ele atuava como bispo auxiliar. Mariana, composta por pequenas cidades com forte identidade católica, ricas em orações, e com um povo muito religioso, intensa religiosidade popular, movimentos religiosos e obras de caridade focadas em educação, saúde e assistência social, então percebeu a importância de desenvolver um trabalho na formação humana e eclesial.

Vale ressaltar que, o processo de transformação da arquidiocese já vinha de um processo de grande transformação iniciado por seu predecessor, Dom Oscar de Oliveira, que participou do Concílio Vaticano II e fez um esforço interno para implementar suas decisões, revisando o “Segundo Sínodo da Arquidiocese de Mariana” para trazer um novo dinamismo antes da chegada de Dom Luciano.

Em seguida, Pe. Marcelo destacou que Dom Luciano deu continuidade nos trabalhos já realizados por Dom Oscar e teve um cuidado especial com a formação básica nas casas de formação do Seminário Arquidiocesano de Mariana. Bem como, a formação permanente do clero, incluindo presbíteros e diáconos. Empenhava para que todos pudessem se qualificar no processo formativo dado no seminário.

Ao final da apresentação do painel, Pe. Marcelo lembrou com saudade e admiração de Dom Luciano, como alguém de vida espiritual rica e configurada a Jesus Cristo.

“Bispo sábio e santo, servo de Deus da nossa arquidiocese, por tantos anos serviu ao nosso povo. Parecia que Dom Luciano não era alguém deste mundo, pela riqueza de sua espiritualidade, tão perto e configurada a Jesus Cristo, de uma vida na fidelidade entregue à Igreja, no serviço a todos, a começar dos mais pobres e necessitados”.

Um testemunho que nos alcança nos dias atuais

No dia 2, pela manhã, tiveram início as atividades com uma conferência ministrada pelo Padre Geraldo De Mori, S.J., professor da Faculdade Jesuíta, em Belo Horizonte. Trouxe como tema: “A caridade como expressão da fé em Dom Luciano”. Um tema que traduz o que representou e representa a figura de Dom Luciano. Um homem que buscou a imitação de Cristo, através da interiorização do amor que encontrou no Mestre. Amor esse que, experimentado, se transforma em caridade.

A Semana Dom Luciano é um evento acadêmico promovido pelo Seminário São José e a Faculdade D. Luciano, visando celebrar e aprofundar o legado de Dom Luciano Mendes de Almeida, neste ano recordou os 20 anos de seu falecimento.

“O vigésimo aniversário da morte de Dom Luciano nos lembra que a gente não pode esquecer o legado dele, tantas iniciativas que ele promoveu nessa Igreja particular de Mariana e contribuíram para que essa Igreja fosse mais parecida com aquilo que é o testemunho que a Igreja tem que dar. Ele ajudou essa Igreja a caminhar segundo as necessidades que foram da época”, apontou Pe. Geraldo De Mori

 

Em seguida, ocorreu o segundo painel, com o tema “Espiritualidade que inspira, humanidade que acolhe, missão que transforma”. Esse painel coroou as atividades da semana acadêmica, com a presença de pessoas ligadas a trabalhos em instituições sociais de Mariana que são herança do Servo de Deus Dom Luciano. Irmãos e irmãs ligados à Escola Municipal Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, à Comunidade da Figueira e à Comunidade Terapêutica Emanuel. Todos esses trabalhos, voltados para a educação, a inclusão e a recuperação do povo de Deus, são frutos das sementes plantadas pelo pastoreio do saudoso bispo.

Pe. Daniel Fernandes Moreira, formador do Seminário São José e diretor acadêmico do Instituto de Teologia – Instituição parceira na organização da 9ª Semana do Dom Luciano. O sacerdote destacou a importância crucial deste evento para o seminário sob dois aspectos acadêmico e formativo:

“De fazer memória, de estudar, de conhecer alguém que foi um intelectual, mas que soube viver essa sua intelectualidade na prática da vida. Além disso, permite aos seminaristas conhecer a história da arquidiocese e de um de seus bispos mais marcantes, Dom Luciano, que atualmente está em processo de beatificação”, ressaltou Pe. Daniel.

Segundo Pe. Edvaldo Antônio de Melo, diretor acadêmico e coordenador do curso de Bacharelado em Filosofia da Faculdade Dom Luciano, sua ligação com o Dom Luciano foi significativa. Sendo o último padre ordenado “no espírito” dele, mesmo sem a presença física de Dom Luciano na celebração. Ele relembra as palavras de Dom Luciano: “A nossa alegria está no Senhor, e a nossa força está na Eucaristia”.

Encerrando o evento, o Padre Edvaldo, apresentou alguns trabalhos ligados à preservação da memória de Dom Luciano: Projeto Dizer o Testemunho; Projeto Memória, dentre outros projetos e publicações de livros, revistas e vídeos. O evento foi encerrado com os agradecimentos do Padre Daniel Fernandes Moreira, diretor de estudos do Instituto Teológico São José, e com a oração para a beatificação de Dom Luciano, seguida da bênção pelas mãos de Monsenhor Celso Murilo Sousa Reis.

Texto: Dacom e Samuel da Silva Lopes – Seminarista
Fotos: Dacom

Arquidiocese de Mariana