“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14)
20 a 22 de maio de 2026
XXIII Simpósio Filosófico-Teológico debate Filosofia da História em Norberto Bobbio

Teve início nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, o XXIII Simpósio Filosófico-Teológico, promovido pela Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM), em parceria com o Instituto Teológico São José (ITSJ). Com o tema “Filosofia e Teologia da História”, o encontro propôs uma reflexão inspirada no mistério do Verbo Encarnado – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14) – convidando os participantes a aprofundarem o sentido da história humana à luz da fé e da razão.
Mais do que uma sucessão de acontecimentos, a história foi apresentada como espaço de sentido, no qual o agir humano encontra orientação em direção ao seu fim último. O simpósio reafirma o compromisso da Arquidiocese de Mariana com a reflexão filosófica e teológica, tradição construída ao longo de seus 280 anos de história.
A edição deste ano ganha ainda mais relevância por marcar os 120 anos da elevação da Diocese de Mariana à categoria de Arquidiocese, realizada em 1906 por meio do documento Sempiternam Humani Generis, promulgado por São Pio X. O evento também recorda os 150 anos de nascimento de Dom Helvécio Gomes de Oliveira (1876–2026), segundo Arcebispo de Mariana, reconhecido educador e importante personalidade da história mineira.
Outro momento de memória e gratidão foi a recordação dos 20 anos de falecimento do Servo de Deus Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida (2006–2026), quarto Arcebispo de Mariana e patrono da Faculdade Dom Luciano Mendes, cuja trajetória continua inspirando a missão evangelizadora e acadêmica da instituição.
A mesa de abertura contou com a presença da direção da Faculdade Dom Luciano Mendes e do Seminário São José. Fizeram uso da palavra o Reitor do Seminário São José, Pe. Sergio José da Silva; o Diretor de Estudos do Seminário e Coordenador do Curso de Teologia, Pe. Daniel Fernandes Moreira; e o Diretor Acadêmico e Coordenador do Curso de Filosofia da FDLM, Pe. Edvaldo Antonio de Melo.
Também compuseram a mesa o Pe. Anderson Eduardo de Paiva, Diretor da Comunidade do Discipulado do Seminário São José, e o Pe. Gilsimar Tavares Vieira, Diretor da Comunidade do Propedêutico.
A programação inaugural aconteceu no Auditório Dom Oscar de Oliveira, nas dependências da FDLM, com a conferência “A Filosofia da História na perspectiva de Norberto Bobbio”, ministrada pelo professor doutor José Luiz de Oliveira, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

Durante a conferência, o professor apresentou diferentes aspectos do pensamento de Norberto Bobbio, abordando temas relacionados à história, política, ética e direito. O eixo central da exposição destacou a compreensão histórica do filósofo italiano, segundo a qual o ser humano age orientado pelo futuro, tendo a arché em seu nascimento e o telos em sua morte.
Ao longo de sua fala, o conferencista ressaltou que o homem possui uma disposição moral para o progresso, buscando construir uma sociedade capaz de garantir os direitos individuais e promover a liberdade. Questões como direitos humanos, racismo e regimes totalitários também estiveram presentes na reflexão, reforçando a importância da moral e da garantia dos direitos fundamentais na construção da vida em sociedade.
Paleontologia, Biologia e Cosmologia são temas de destaque no segundo dia do Simpósio Filosófico-Teológico
O segundo dia do Simpósio Filosófico-Teológico aconteceu nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, no Salão Apostólico da Etapa da Configuração do Seminário São José, em Mariana (MG). A programação contou com a conferência “Contribuições Científicas para a Teologia da História”, ministrada pelo professor doutor padre César Andrade Alves, SJ, docente da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE).

Durante a conferência, o palestrante abordou importantes questões relacionadas à teologia da história, refletindo sobre as relações entre o método da ciência moderna e o método teológico. Entre os temas apresentados estiveram as contribuições da Paleontologia, da Biologia e da Cosmologia para a compreensão teológica da história humana e da criação.
Ao longo da exposição, destacou-se a possibilidade de um diálogo harmonioso entre fé e razão. Segundo o conferencista, diferentes áreas do conhecimento podem compartilhar métodos e perspectivas que favorecem uma compreensão mais ampla da realidade e fortalecem a reflexão doutrinal. O aprofundamento nos aspectos históricos e científicos da humanidade e do universo também foi apresentado como caminho que conduz à contemplação do plano divino.
A conferência ainda ressaltou que as descobertas científicas, longe de afastarem o ser humano da fé, podem ampliar a percepção da grandeza da criação. Ao contemplar a complexidade da vida e a imensidão do cosmos, o homem é levado a reconhecer a beleza e a magnitude daquele que é o autor de toda a criação.

Desse modo, o segundo dia do Simpósio Filosófico-Teológico proporcionou aos participantes uma significativa oportunidade de reflexão sobre a relação entre ciência e fé, evidenciando que ambas não se opõem, mas se complementam na busca pela verdade. A conferência contribuiu para ampliar os horizontes do pensamento teológico e conduziu os presentes a uma contemplação mais profunda do mistério da criação e da ação de Deus na história humana.
Parte superior do formulário
Michel Henry, Heidegger e Walter Benjamin orientam debates no último dia do Simpósio
Filosófico-Teológico
O terceiro e último dia do Simpósio Filosófico-Teológico aconteceu nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, no Auditório Dom Oscar de Oliveira, nas dependências da Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM), em Mariana (MG). Encerrando a programação do evento, foi realizada uma mesa redonda com o tema “Perspectivas Filosóficas e Teológicas da História”, reunindo pesquisadores e professores para reflexões sobre fenomenologia, corpo, existência e temporalidade.

A primeira conferência do dia foi conduzida pelo professor doutor José Luiz Furtado, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), com o tema “Michel Henry: uma interpretação fenomenológica da ‘ressurreição dos corpos’”. Em sua exposição, o professor refletiu sobre a essência do ser humano e a compreensão do corpo para além de sua dimensão objetiva.

Segundo o conferencista, o corpo não pode ser reduzido a um simples objeto, pois existe uma realidade mais profunda que ultrapassa aquilo que se manifesta exteriormente. A reflexão destacou ainda que o conhecimento originário do corpo exige abertura à experiência da revelação, superando os limites da consciência puramente racional.
Na sequência, o professor doutor padre José Sebastião Gonçalves, docente do Instituto Teológico Dom Hermínio Malzone e da Anhanguera Faculdade de Psicologia, apresentou a conferência “Fenomenologia da carne de Cristo em Michel Henry: uma teologia para qual corpo?”.

Durante a exposição, foram desenvolvidas reflexões sobre a vida, o corpo e a experiência humana à luz da fenomenologia e da teologia cristã. O conferencista destacou críticas às perspectivas reducionistas da contemporaneidade, que limitam a compreensão da vida aos aspectos biológicos e científicos. Também foram abordadas a relação entre a Palavra de Deus e a verdade, bem como a dimensão espiritual da existência presente nos Evangelhos. Questões relacionadas ao nascimento, à encarnação e ao significado da carne de Cristo para a experiência teológica também estiveram no centro da reflexão.
Encerrando a mesa redonda, o professor doutor Marcelo Rangel, também da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), conduziu a conferência “Walter Benjamin e Heidegger: de onde vem o futuro ou como nos tornamos o que somos?”.

Em sua fala, o professor apresentou uma profunda relação entre passado, presente e futuro. A partir do conceito de “poder ser”, destacou que o ser humano revisita o passado – seus acontecimentos, culturas e formas de existência – para compreender o presente e construir o futuro. Segundo o conferencista, esse movimento reflexivo permite ao homem transformar a própria realidade, em um processo contínuo, circular e intrínseco à experiência humana.
Após as apresentações, os participantes tiveram a oportunidade de dialogar com os conferencistas em um momento de debate e partilha de reflexões. O encerramento do simpósio foi marcado pelas palavras de agradecimento das instituições organizadoras, concluindo mais uma edição do evento, que promoveu importantes diálogos entre filosofia, teologia, ciência e experiência humana.
Texto: Samuel da Silva Lopes e Sergio Augusto de Souza, Seminaristas da Arquidiocese de Mariana e discentes do 3º e 5º Períodos do Curso de Bacharelado em Filosofia da FDLM
Fotos: Adson de Menêz Gândara, Seminarista da Diocese de Porto Nacional e discente do 1º Período do Curso de Bacharelado em Filosofia da FDLM