21/08/2025 Gargalos do letramento digital em inteligência artificial no ensino superior: aspectos teóricos, ético-normativos e institucionais
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Do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico, nos encontramos, por assim dizer, no “olho do furacão”: o hype – discurso excessivo e inflacionado sobre assunto determinado – da inteligência artificial (IA) nunca esteve tão em evidência, tendo seu ponto de virada no lançamento do ChatGPT, chatbot da OpenAI, ao final de 2022. Desde então, portanto, as implicações de seu desenvolvimento e das soluções tecnológicas formuladas a partir de suas aplicações tem sido não apenas sentidas como também debatidas nas mais variadas áreas, como economia, saúde, relações humanas e sociais, etc. A educação não é exceção, ocupando uma posição estratégica e específica em relação a essa discussão.

Ainda incompletos três anos, portanto, em relação ao lançamento do ChatGPT, o cenário evoluiu dramaticamente e as demandas pelo enfrentamento da discussão no âmbito da educação superior se tornaram absolutamente urgentes. No entanto, essa urgência não pode simplesmente reproduzir as tendências do hype, marcado, em geral, pelas demandas mercadológicas, vinculadas que se encontram às pretensões de um mercado altamente especulativo em rápido processo de expansão. Ao contrário, em conformidade às expectativas mais tradicionais relativas ao universo científico do ensino superior, trata-se, antes, de formular entendimentos de forma ponderada e fundadas em práticas científicas devidamente referenciadas de maneira a estruturar balizas para ações e comportamentos adequados ao ethos acadêmico, particularmente em relação aos eixos do ensino e da pesquisa. E é justamente esse o propósito formativo: uma primeira aproximação da comunidade acadêmica da FDLM desse debate que lhe permita, a médio prazo, afinar entendimentos sobre o assunto e formular políticas institucionais e parâmetros de governança sobre usos de IA no ensino superior.

Texto: Maurício de Assis Reis