Na manhã de sexta-feira, 6 de junho de 2025, realizou-se a conferência intitulada “O Surto Ferroviário do Século XIX Avança em Minas Gerais”, ministrada pelo historiador e pesquisador Dr. Welber Luiz dos Santos. Especialista na história das ferrovias mineiras, com ênfase na Estrada de Ferro Oeste de Minas e, em especial, na chamada bitolinha, o Dr. Welber abordou aspectos centrais doprocesso de expansão ferroviária no estado. Durante sua exposição, destacou-se a expansão da Estrada de Ferro Dom Pedro II no antigo território da Diocese de Mariana, no contexto do final do século XIX. Também foi mencionado o trajeto percorrido por Dom Helvécio Gomes de Oliveira, à época arcebispo, por ocasião de sua chegada a Mariana, utilizando-se da Estrada de Ferro Central do Brasil, cujos trilhos chegaram à cidade em 1914.
Ao final da apresentação, o espaço foi aberto para perguntas e comentários. Entre as intervenções, destacou-se a do Prof. Dr. João Paulo Rodrigues, que indagou sobre a possível existência de um ramal ferroviário construído por iniciativa da Arquidiocese por volta de 1914. Tal ramal, segundo o professor, partiria da Estação de Lobo Leite e chegaria até o centro da cidade de Congonhas, com o intuito de facilitar o acesso dos romeiros à cidade. Em resposta, o Dr. Welber afirmou não ter conhecimento de tal ramal específico, mas considerou a possibilidade de pesquisar sobre o tema e que apenas tem conhecimento, naquele trecho, sobre as obras do Ramal do Paraopeba, que, partindo da Estação de Joaquim Murtinho, passaria por Congonhas em direção à capital, Belo Horizonte, acompanhando o curso do Rio Paraopeba a partir de 1910.
A conferência teve elevado valor acadêmico, oferecendo aprofundamentos relevantes em aspectos técnicos e históricos. Destacou-se, ainda, a contribuição do evento para a compreensão do contextoterritorial e dos meios de transporte ferroviário no âmbito da então Diocese de Mariana, especialmente no período entre meados e o final do século XIX — marco que coincide com os 280 anos de existência da diocese celebrados neste ano. O pesquisador também ressaltou que parte da mão de obra utilizada na construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II era composta por trabalhadores cativos, o que levou à substituição do modelo ferroviário inglês (que não admitia o uso de mão de obra escravizada) por um modelo de inspiração estadunidense, mais tolerante a tal prática.
Por fim, observou-se que, nesse mesmo período, a diocese era governada por Dom Antônio Ferreira Viçoso, Servo de Deus, cuja atuação se destacou pelo enfrentamento dos desafios sociais, políticos e tecnológicos de seu tempo. Sua liderança, no contexto de profundas transformações, é interpretada como um verdadeiro apostolado e expressão profética no cenário mineiro do século XIX.
Crédito do texto: Sérgio Rodrigues, seminarista e discente do 2º ano da Faculdade Dom Luciano Mendes
Crédito das fotos: Prof. Dr. Welber Luiz dos Santos