13/10/2025 VIII Semana Dom Luciano é encerrada com quatro palestras sobre Cônego Trindade
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O auditório da Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM) recebeu na manhã desta sexta-feira, 10 de outubro, quatro palestras sobre a vida e legado de Cônego Raimundo Trindade. Ao longo da programação, os participantes puderam conhecer mais facetas sobre o grande historiador e comunicador.

Iniciando a primeira palestra, foram convidados a compor a mesa o Diretor do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, Pe. Leandro Ferreira Neves, e a professora Maria Cândida Trindade, que ministrou a “Conferência — Cônego Raimundo Octávio Trindade: Vida e Obra”.

Pe. Leandro disse ter grande satisfação em estar presente nesse dia da Semana Dom Luciano e seguiu recordando a trajetória de vida de Cônego Trindade. O sacerdote estimulou a todos a estudarem e se aprofundarem mais na história do de Cônego Trindade, citando uma carta do Papa Francisco que convida a promover uma verdadeira sensibilidade histórica.

Logo depois da fala, Maria Cândida surpreendeu os presentes ao contar que, após o falecimento do Cônego Raimundo Trindade, seus familiares reuniram seus papéis e documentos para serem queimados, mas foram impedidos por uma sobrinha, responsável por preservar esse importante acervo histórico.

A partir dessa narrativa, ela apresentou aspectos da vida e da trajetória do cônego, baseando-se em documentos originais. Entre eles, destacou uma carta comovente na qual o pai do sacerdote, às vésperas de sua ordenação, solicita a Dom Silvério Gomes Pimenta — então Arcebispo de Mariana — que o nomeasse para Barra Longa, por ser mais próxima de sua casa.

A palestrante também ressaltou a constante preocupação de Cônego Trindade com a educação, visível em inúmeros documentos. Reconhecido por seu espírito inovador, foi o primeiro padre radioamadorista do país, utilizando o rádio para dialogar com pessoas de diferentes regiões e solicitar documentos úteis às suas pesquisas.

No segundo momento, Maria Agripina Neves discorreu em seu “Painel — Cônego Trindade: Consolidação de um legado histórico diocesano”, sobre como surgiu a ideia e como foi procurar documentos de Cônego Raimundo que estão no Arquivo Casa do Pilar, pertencente ao Museu da Inconfidência.

Ela confidenciou que à medida que foi pesquisando foi percebendo o quão Cônego Trindade era criterioso, e encontrou diversos registros antes não explorados, como uma carta que tratava do Jubileu de Ouro do presbítero, celebrado em Rio Doce (MG).

Outros documentos destacados foram referentes ao seu falecimento e sobre duas missas de 7º dia na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto (MG), sendo uma delas a pedido dos funcionários do Museu da Inconfidência.

Relatando como conheceu o Cônego Raimundo Trindade, o professor Luiz Cláudio Alves dos Santos deu continuidade aos momentos formativos apresentando a biografia e trajetória do presbítero. Ele afirmou que considera o livro “Arquidiocese de Mariana: subsídios para sua história” a maior obra do sacerdote e no segmento “a mais completa que temos até os dias de hoje”, devido à profundidade histórica presentes em seus escritos.

Ressaltou também a relevância do estudo do patrimônio religioso nas obras e artigos, especialmente naqueles dedicados à Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (MG), tema do primeiro artigo publicado na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (RPHAN) pelo cônego.

Com base em correspondências trocadas com Rodrigo Melo Franco de Andrade, o cônego se envolveu em discussões sobre a autoria das obras de Aleijadinho do mencionado templo, demonstrando grande entusiasmo e paixão pela história da Igreja.

Seu trabalho minucioso o levou a identificar os nomes dos profissionais envolvidos na construção do templo, como pedreiros, pintores, ferreiros e o próprio arquiteto — Aleijadinho.

Duílio Silva Santana de Araújo ministrou a palestra “De Diocese à Arquidiocese: reflexões de Cônego Trindade”. Nela, ele ressaltou a honestidade intelectual do cônego, que sempre indicava de onde vinham suas informações.

Pontuou que ele era ágil na escrita, tinha o rigor de assinar e datar manuscritos, e sempre escrevia com profundidade, como levantamento feito a pedido de Dom Helvécio Gomes de Oliveira.

Trindade buscava precisão histórica, inserindo observações em notas de rodapé para manter a fluidez da leitura e evitando romantizações, como ao afirmar que a escolha de Mariana como capital já vinha da vontade popular.

Atento aos detalhes, reforçava a veracidade dos fatos com expressões como “de fato” e valorizava figuras como Dom Silvério Gomes Pimenta, a quem atribuía papel essencial na elevação da Arquidiocese.

O expositor concluiu incentivando novas pesquisas com base nos documentos preservados, reconhecendo o cônego como um estudioso rigoroso e consciente do valor histórico de sua obra.

Ao final, o Diretor Acadêmico da Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM), Pe. Edvaldo Antônio de Melo, e o Formador do Seminário São José, Pe. José Geraldo Coura (Pe. Juca) realizam a entrega da Comenda Dom Luciano a professora Maria Cândida, que não pôde recebê-la na cerimônia realizada na segunda-feira, 6 de outubro.

Encerrando a VIII Semana Dom Luciano, Pe. Edvaldo agradeceu aos professores/palestrantes, os padres diretores, os seminaristas, a Arquidiocese, equipe técnica e pediu uma salva de palmas para todos que colaboraram.

Texto e fotos: Paulo César Gouvêa/Arquidiocese de Mariana

Arquidiocese de Mariana